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Fortuna de 62 mais ricos é igual a de metade da população

Grupo de bilionários acumula capital igual ao dividido entre 3,5 bilhões de pessoas, afirma ONG Oxfam em relatório. Em 2015, riqueza de 1% superou a de 99% restante da população.

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As 62 pessoas mais ricas do mundo acumularam um capital equivalente ao que está distribuído entre metade da população mundial, ou seja, cerca de 3,5 bilhões de pessoas, afirmou nesta segunda-feira (18/01) a organização britânica de combate à pobreza Oxfam. Em 2010, segundo o relatório da ONG, essa fortuna estava distribuída entre 388 pessoas.

De acordo com a ONG, em 2015, o patrimônio acumulado por 1% das pessoas mais ricas do mundo superou o dos 99% restantes. Quase metade dos 62 superricos é dos Estados Unidos, outros 17 são de países europeus, os outros vêm de países como China, Brasil, México, Japão e Arábia Saudita.

A preocupação dos líderes mundiais com o aumento da crise da desigualdade não se traduziu em ações concretas. O mundo está se tornando um lugar mais desigual, e a tendência é acelerada”, afirmou a diretora executiva da Oxfam International, Winnie Byanima.

Desde 2010, a fortuna das 62 pessoas mais ricas cresceu aproximadamente 44%, enquanto a dos 3,5 bilhões mais pobres encolheu cerca de 40%, mostrou o relatório divulgado às vésperas do Fórum Econômico Mundial, realizado em Davos, na Suíça, entre 20 e 23 de janeiro.

Nos últimos 25 anos, o rendimento médio dos 10% mais pobres cresceu menos de 3 dólares por ano. “Não podemos permitir que milhões de pessoas passem fome enquanto recursos que poderiam ajudá-las estão sendo sugados por aqueles que estão no topo”, acrescentou Byanima.

Segundo a organização, o abismo entre os mais ricos e o resto da população aumentou de forma dramática nos últimos 12 meses. Em 2014, a ONG previu que o patrimônio de 1% da população superasse o dos 99% restantes apenas em 2016, porém, esse patamar foi alcançado já em 2015.

Fim de paraísos fiscais

Para combater o crescimento da desigualdade, a ONG defende o fim dos paraísos fiscais. O relatório mostra que 30% da riqueza financeira da África é mantida no exterior, causando uma perda de 14 bilhões de dólares ao continente, devido à sonegação fiscal.

A organização afirma que esse montante seria suficiente para salvar a vida de 4 milhões de crianças por ano e empregar a quantidade de professores necessária para que todas as crianças tenham acesso à escola.

“Companhias multinacionais e as elites ricas estão jogando com regras diferentes do resto, recusando-se a pagar impostos que a sociedade necessita para funcionar. O fato de que 188 das 201 empresas líderes estarem presentes em pelo menos um paraíso fiscal mostra que é hora de agir”, ressaltou Byanima.

Em 2014, economistas contestaram a metodologia utilizada pela Oxfam em seus relatórios. Para este estudo, a ONG defendeu o instrumento utilizado – o patrimônio líquido, ou seja, os ativos menos as dívidas. Ela calculou as 62 maiores riquezas usando a lista dos bilionários divulgada pela Forbes.

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