Software Livre: uma alternativa viável

Muito se fala no uso de softwares livres em substituição aos softwares proprietários. No entanto, acredito que o uso de softwares alternativos aos modelos pagos, além de ser uma filosofia trata-se também de economia. Sim porque atualmente existem diversos casos de sucesso tanto no aspecto da empregabilidade desses softwares assim como em economia de recursos.

Em época de vacas magras é comum enxugar a estrutura ao máximo, sendo necessário estar atento a alternativas viáveis de redução de custos. Isso vale para todos os setores da economia: público, privado e terceiro setor.

Com base nisso, replico abaixo três matérias que me chamaram atenção quanto ao assunto:

1. Software livre gera economia de meio milhão de reais ao Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina

O Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina economizou em torno de R$ 520 mil desde que começou a instalar em seus computadores, em junho de 2007, o pacote de softwares livres BrOffice. O valor se refere ao que precisaria ser investido em atualização e aquisição de licenças da suíte de aplicativos MsOffice, que inclui o editor de textos (Word), de planilhas (Excel), de apresentações (Power Point), de banco de dados (Access) e o correio eletrônico (Outlook).

A primeira etapa da substituição foi na área administrativa, onde atualmente mais de 230 micros operam somente com BrOffice. A segunda etapa está quase finalizada e prevê a instalação nos quase 900 computadores das unidades judiciárias de primeiro grau, inclusive nas salas de audiência. Atualmente700 dessas máquinas já rodam com o software livre.

De acordo com o gerente do projeto, servidor Altair de Lima, o BrOffice vai entrar em sua fase final no segundo semestre, quando a suíte de aplicativos será instalada na área judiciária de 2ª instância (gabinetes de juízes, secretarias, turmas etc).

Fonte: Assessoria de Comunicação do TRT/SC. ascom@trt12.jus.br – (48) 3216.4320

2. Software livre gera economia para pequena empresa

Os pequenos seguem a tendência dos grandes quando se fala no uso de software livre nas empresas. Enquanto as grandes poupam milhões com a migração, a economia entre as pequenas também é significativa.

O software livre, que não tem restrição de uso, cópia, modificação ou distribuição, tem ainda a vantagem de ser gratuito.
Alguns exemplos desses programas são o sistema operacional Linux e a ferramenta de escritório OpenOffice.
Segundo Rodolfo Avelino, coordenador do Conisli (Congresso Internacional de Software Livre), o que move as pequenas empresas para a migração é a dificuldade que têm para manter seu software legalizado. “O investimento para comprar softwares pagos pode ser inviável.”

Menos gastos
Foi pensando na economia que o engenheiro José Maria de Carvalho Júnior, responsável pela área de tecnologia da informação da Carvalho Saúde Ocupacional, fez a migração.
“O que deixamos de gastar com licenças da Microsoft é considerável”, diz. Hoje, a empresa roda o Linux nas 30 máquinas. O pacote de ferramentas de escritório também foi trocado por uma versão livre.
Com a economia, foi possível desenvolver, por cerca de R$ 8.000, um sistema personalizado de gestão da empresa.
“O pequeno empresário pode aproveitar o orçamento e tratar a informática com mais profissionalismo”, aconselha Marcelo Okano, professor de pós-graduação em redes da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista).
“Ele pode também reaproveitar suas máquinas, já que um servidor com o Linux roda bem em uma máquina mais simples”, diz Okano.
Outra vantagem é que o usuário pode modificar o código do programa. “Se faltar alguma funcionalidade, é possível programá-la”, diz Alessandro Brawerman, professor do curso de sistemas de informação da Universidade Positivo.
É possível fazer o download dos softwares pela internet (confira abaixo alguns sites).
“O empresário deve calcular o número de máquinas afetadas e ver se compensa contratar alguém para instalar os programas”, aconselha Egnaldo Paulino, consultor de orientação empresarial do Sebrae-SP.

Folha de S. Paulo, Maíra Termero, 23 de março de 2008

3. Governo brasileiro economiza R$ 370 milhões com sistemas operacionais de computador

Nos últimos 12 meses, o país economizou R$ 370 milhões com o uso de sistemas operacionais, navegadores da internet, correios eletrônicos e softwares livres com diversas finalidades. O cálculo é do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro), vinculado ao Ministério da Fazenda.

O valor equivale ao dobro dos investimentos feitos no desenvolvimento dos programas da declaração do Imposto de Renda Pessoa Física e de consulta ao Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), ou cerca de um quarto do orçamento anual do Serpro, considerado o maior serviço de processamento de dados da América Latina.

De acordo com o presidente do Serpro, Marcus Vinicius Ferreira Mazoni, os efeitos vão além dessa cifra e o valor economizado é ainda maior, se forem considerados o dinheiro que deixou de ser gasto com a manutenção de programas fornecidos, os totais poupados com o uso de programas feitos sob medida e a dispensa de aquisição de licenças para novas redes.

“A economia representa a viabilização de projetos que não seriam possíveis”, diz Mazoni, citando a instalação e funcionamento de mais de 5 mil telecentros em todo o país. Segundo ele, em cada unidade dessas seria necessário adquirir licenças particulares para cada editor de texto, por exemplo.

Na avaliação do presidente do Serpro, os valores economizados vão crescer nos próximos anos. Atualmente todos os órgãos do governo federal têm alguma experiência com software livre, mas apenas 40% tem todo o seu funcionamento até o usuário final baseado nesses programas.

“Isso é exponencial”, projeta Marcus Vinicius Mazoni. “Conforme vão sendo verificados os resultados positivos da tecnologia livre, o uso aumenta fortemente”, afirma o presidente do Serpro. Segundo ele, a tecnologia, além de mais barata, é superior por sua adaptabilidade.

“Quem já viveu a experiencia de ter que trocar a máquina por conta da mudança de software?”, pergunta. “No mundo do software livre, podemos fazer essa opção. Podemos continuar melhorando, mas conhecendo o tamanho da máquina, fazendo com o novo programa fique do seu tamanho”, garante.

Além da economia de gastos e da plasticidade dos softwares livres, Mazoni assinala que o país se beneficia com o uso de sistemas que sobre os quais tem total controle do desenvolvimento de códigos. De acordo com ele, o governo não depende de fornecedores privados (geralmente multinacionais) para suas múltiplas plataformas eletrônicas.

No próximo dia 15, o Serpro tornará acessível para órgãos públicos, empresas e usuários particulares uma nova plataforma de desenvolvimento de programas chamada “Demoiselle” (do francês senhorita), em homenagem a Santos Dumont, que, em 1907, deixou livre a patente do avião homônimo que projetou.

* fonte: www.agenciabrasil.gov.br

A internet está cada vez mais assumindo a característica de comoditie. É cada vez maior o número de usuários e, sendo assim, não vejo o porque das pessoas continuarem pagando pelo uso de um software, por exemplo, para leitura de e-mails ou ainda para elaborarem textos, matérias, livros, planilhas, apresentações etc. Atualmente, as principais tarefas rotineiras que um usuário faz em seu computador pessoal podem ser cumpridas da mesma forma utilizando-se softwares livres. Posso afirmar que estou cada vez mais satisfeito. Todas as minhas necessidades de uso são supridas, e todas elas com softwares livres.

É perceptível que determinadas aplicações, caracteristicamente empresariais (falo isso porque trata-se do ambiente de trabalho onde atuo) não possuem softwares adaptados à realidade brasileira. Estou falando de softwares de gestão empresarial livres que contemplem a legislação brasileira, apesar de que no mundo já existem alguns projetos em pleno funcionamento. No entanto, tais aplicações possuem características muito específicas e por isso, acredito que vai levar um bom tempo até que se desenvolva uma ferramenta completa de gestão para nós brasileiros. De qualquer forma, acredito que isso é possível e, independente de quanto tempo leve para acontecer, é só uma questão de tempo. A propósito, gostaria de me candidatar a participar de um projeto assim para o Brasil. Se souber de algum, por favor, avise-me.

Alguns me chamam de entusiasta, outros de geek (apesar de que estou a galáxias de distância de ser um geek), outros ainda me chamam de viciado em informática (concordo parcialmente). Na verdade, acho que deveriam me chamar de “livre” mesmo.

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Um comentário em “Software Livre: uma alternativa viável

  1. Liberdade é o que há!

    Além das vantagens economicas o uso de software com código aberto é muito melhor pois você de fato usa o computador, ao contrário desses outros sistemas que dominam sua máquina e fazem do usuário um escravo.

    Abraços.

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